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MapaEleitoral
15 de agosto de 20243 min de leituraPor Filipe Dias50 visualizações

Cores dos mapas eleitorais: categorias, intensidades e margens

Aprenda a escolher escalas qualitativas, sequenciais e divergentes para mapas eleitorais, com exemplos de votação, filiação, margens e legendas transparentes.

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Cores dos mapas eleitorais: categorias, intensidades e margens

Um mapa de vencedores e um mapa de abstenção podem usar o mesmo azul para dizer coisas inteiramente diferentes. No primeiro, a cor identifica uma categoria; no segundo, pode representar uma quantidade. A escolha da escala precisa acompanhar a pergunta.

Antes de selecionar uma paleta, defina o cargo, o turno, a unidade territorial e a medida. Essa decisão reduz o risco de produzir uma imagem convincente que responde à pergunta errada.

Categorias: quem venceu em cada lugar

Uma escala qualitativa atribui cores distintas a categorias sem ordená-las. Pode mostrar o partido vencedor ou a candidatura mais votada por município. Um tom mais escuro não deve sugerir vantagem maior se a escala apenas identifica o vencedor.

O mapa de filiados, em seu modo de maior partido, usa essa lógica: informa qual legenda tem mais filiados na área. A imagem não revela sozinha o tamanho da distância para o segundo colocado.

As cores partidárias são convenções de cada visualização. Vermelho não significa esquerda em qualquer país ou mapa; azul não significa automaticamente direita. A classificação do espectro político declara seus próprios critérios e agrupamentos.

Intensidades: quanto existe em cada área

Uma escala sequencial organiza valores do menor ao maior. É adequada, por exemplo, para uma taxa de abstenção ou para o percentual de votos de uma candidatura. O leitor precisa saber se tons mais claros representam valores menores e quais intervalos cada classe contém.

Contagem e porcentagem produzem mapas distintos. Cem mil votos podem representar uma parcela pequena em uma cidade grande e uma votação impossível em uma cidade com eleitorado menor. O denominador deve acompanhar o percentual.

Ao mostrar filiados por partido, a fração dentro da área responde à força relativa entre os filiados locais; ela não mede a fração entre todos os eleitores. O artigo sobre o mapa de filiados explica essa base.

Diferenças: de que lado está a vantagem

Uma escala divergente organiza valores em torno de um ponto de referência. Na diferença entre as porcentagens de duas candidaturas, esse ponto pode ser zero: de um lado, vantagem de A; do outro, de B.

Em uma disputa hipotética, 51% para A e 49% para B resultam em vantagem de dois pontos percentuais. Não é um empate. Se o mapa agrupa vantagens entre menos cinco e mais cinco pontos numa faixa neutra, a legenda deve dizer “margem pequena” e informar o intervalo escolhido.

Diferenças percentuais e variações relativas não são a mesma operação. Uma taxa que passa de 20% a 25% cresce cinco pontos percentuais, ou 25% em relação ao valor inicial. O mapa precisa indicar qual dessas medidas representa.

Classes e cortes também fazem parte da mensagem

Uma paleta contínua e uma divisão em faixas podem representar a mesma medida, mas a divisão altera o que fica visualmente agrupado. Duas áreas próximas de um corte podem receber cores muito diferentes, apesar de números parecidos.

Em comparações entre eleições, mantenha os cortes quando a intenção for comparar valores absolutos da medida. Se os cortes forem recalculados em cada ano, explique a mudança. Usar a mesma cor não garante que ela continue representando o mesmo intervalo.

O ColorBrewer distingue esquemas qualitativos, sequenciais e divergentes. A ferramenta ajuda na escolha; não define o sentido político nem a medida adequada ao seu dado.

A legenda precisa funcionar sem adivinhação

Publique categoria ou unidade, intervalos, cargo, turno, fonte e data de atualização. Mantenha rótulos e valores disponíveis, pois a cor não deve ser a única forma de distinguir a informação. W3C: uso da cor.

O texto sobre interpretação de cores eleitorais aplica essas escolhas à leitura de resultados. Um mapa bem documentado permite reconhecer a medida antes de começar a explicar sua geografia.

FD

Autor

Filipe Dias

Geógrafo, desenvolvedor e analista político. Criador do Mapa Eleitoral — plataforma de visualização de dados das eleições brasileiras.

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