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MapaEleitoral

Como o Brasil se dividiu

Oito eleições presidenciais e a geografia de um país que se partiu no meio

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1994 · Luiz (PT) × Fernando (PSDB)

Estados 2 · 25

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LuizFernandotom = margem

1994 · FHC × Lula

Um país quase todo azul

A primeira eleição presidencial depois do Plano Real terminou em turno único. Fernando Henrique Cardoso venceu Lula em 25 dos 27 estados — o mapa é quase inteiramente azul. Só duas ilhas vermelhas resistem: o Rio Grande do Sul, berço do PT, e o Distrito Federal. É o ponto de partida: um Brasil que ainda não tem geografia eleitoral própria.

1998 · FHC × Lula

A reeleição e um empate técnico no Rio

FHC se reelege, de novo no primeiro turno. O mapa muda pouco — mas aparecem sinais. O Ceará vira para Lula, e o Rio de Janeiro se decide por uma margem mínima: menos de três mil votos separam os dois candidatos num estado com quase sete milhões de eleitores. A disputa ainda é nacional, não regional.

2002 · Lula × Serra

A onda que virou o mapa de lado

Na quarta tentativa, Lula vence — e vence em quase todo lugar. Contra José Serra, o mapa se inverte por completo: dos 27 estados, o PT leva 26. Serra ganha só em Alagoas. É a maior vitória territorial da série, mas também a mais efêmera: essa unanimidade vermelha vai se quebrar já na eleição seguinte, e ao longo de linhas que definiriam o país por vinte anos.

2006 · Lula × Alckmin

O dia em que o mapa se partiu

Aqui nasce o Brasil eleitoral que conhecemos hoje. Reeleito contra Geraldo Alckmin, Lula constrói uma muralha vermelha no Nordeste — e perde o Sul inteiro, São Paulo e boa parte do Centro-Oeste para o adversário. Pela primeira vez, o voto não se distribui ao acaso: ele desenha uma fronteira nítida entre um Norte/Nordeste petista e um Sul/Sudeste-industrial tucano.

2010 · Dilma × Serra

A fronteira se consolida

Com Lula fora da cédula, Dilma Rousseff herda o mapa — e ele quase não se move. A mesma muralha nordestina, a mesma resistência azul no Sul e no Centro-Oeste. A divisão de 2006 não foi um acidente de percurso: virou a estrutura da política brasileira. O que muda de eleição para eleição, a partir daqui, é a intensidade — não o desenho.

2014 · Dilma × Aécio

O país cortado ao meio

A eleição mais apertada da série. Dilma bate Aécio Neves por três pontos no total nacional, e o mapa mostra por quê: um Nordeste vermelho compacto de um lado, um Sul-Sudeste-Centro-Oeste azul do outro, sem quase nenhum estado no meio-termo. As cores ficam mais fortes — as margens, maiores. A polarização deixou de ser sobre candidatos e passou a ser sobre regiões.

2018 · Haddad × Bolsonaro

Um novo adversário, o mesmo mapa

O PSDB some do segundo turno; entra Jair Bolsonaro. Mas a geografia resiste à troca de protagonista: Fernando Haddad segura os nove estados do Nordeste e o Pará, e perde todo o resto. O eixo mudou de nome — de tucano para bolsonarista — sem mudar de lugar. Amazonas e Amapá se decidem no fio da navalha, prenúncio de onde a próxima eleição seria ganha.

2022 · Lula × Bolsonaro

Minas decide, o Brasil se divide

A eleição mais acirrada desde a redemocratização. Lula volta e vence por pouco mais de dois milhões de votos — e o mapa mostra onde. O Nordeste segue vermelho e sólido; o Sul e o Centro-Oeste, azuis e sólidos. A diferença veio das bordas: Lula reconquista o Amazonas, o Pará, e — decisivo — Minas Gerais, por uma margem mínima. O fiel da balança nacional coube ao estado que sempre foi o fiel da balança.

Explore você mesmo

Este mapa é uma leitura de oito eleições. Para mexer nos números — trocar de ano, ver as margens estado a estado, comparar a trajetória de cada UF — as visualizações completas estão no playground.

Fonte: votação nominal por município (TSE), turno decisivo de cada eleição (2º turno quando houve; 1994 e 1998 foram decididas no 1º). A margem compara só os votos do candidato do PT e do principal adversário. «Exterior» não entra no placar de estados.