A Genealogia dos Partidos Políticos Brasileiros (1979–2026)
Fusões, incorporações e mudanças de nome que transformaram os partidos políticos brasileiros de 1979 a 2026, da ARENA ao União Brasil, em um mapa interativo.
Poucos eleitores sabem que o partido que hoje se chama Progressistas (PP) é o descendente direto da ARENA, a legenda de sustentação do regime militar. Ou que o União Brasil, criado em 2022, junta em uma sigla só a Frente Liberal que rompeu com a ditadura em 1985 e o partido que elegeu Jair Bolsonaro em 2018. Os partidos políticos brasileiros trocam de nome, fundem-se, incorporam uns aos outros e se dividem ao longo da redemocratização. A história dessas mudanças permite reconhecer a continuidade de quadros e estruturas por trás de nomes diferentes.
Este artigo reconstrói essa genealogia: quais partidos existiam quando a reforma de 1979 encerrou o bipartidarismo, quais nasceram com a redemocratização e a Constituição de 1988, quais se fundiram, quais mudaram de nome e quais desapareceram. O fio condutor não é a ideologia de cada legenda, mas a sua linhagem — de onde veio, no que se transformou e onde desembocou.
A história completa pode ser explorada de forma interativa no gráfico de genealogia dos partidos, em que cada legenda é uma faixa no tempo e cada fusão, incorporação ou mudança de nome é um ponto de encontro entre faixas. Ao longo do texto, os links levam direto à linhagem de cada partido no gráfico.
O ponto de partida: a reforma de 1979
O sistema partidário atual não começa em 1988, mas nove anos antes. Entre 1966 e 1979, o Brasil viveu sob o bipartidarismo organizado pelo regime militar após a extinção das legendas existentes pelo Ato Institucional nº 2, de 1965: de um lado a Aliança Renovadora Nacional (ARENA), partido de sustentação do regime militar; do outro o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), a oposição consentida.
A reforma partidária de 1979 encerrou o sistema de duas legendas e reabriu a organização de novos partidos. As estruturas dos dois campos não desapareceram: participaram da formação das agremiações que disputariam as eleições seguintes.
A ARENA deu origem ao Partido Democrático Social (PDS) e o MDB, ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), em 1980, carregando quadros e estruturas. A linhagem do PP atual começa na ARENA por essa continuidade histórica. Linhagem não significa registro jurídico ininterrupto: fusões extinguem as agremiações anteriores para criar uma nova.
A mesma reforma permitiu a criação de legendas novas. Em 1980 nasceram três partidos que existem — ou existiram até há pouco — com o mesmo nome: o Partido dos Trabalhadores (PT), construído a partir do novo sindicalismo do ABC paulista, de setores da Igreja e da esquerda organizada; o Partido Democrático Trabalhista (PDT), fundado por Leonel Brizola; e o próprio Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), refundado por Ivete Vargas.
A história do PDT e do PTB, aliás, começa com uma disputa de espólio que diz muito sobre o peso das marcas partidárias no Brasil. Brizola, herdeiro político natural do trabalhismo getulista, voltou do exílio decidido a refundar o PTB histórico — mas perdeu a sigla, na Justiça Eleitoral, para o grupo de Ivete Vargas, sobrinha-neta de Getúlio. Derrotado no cartório, criou o PDT. O detalhe irônico: das duas legendas, a que carregava o nome original foi extinta em 2023, reunida ao Patriota na fusão que criou o PRD, enquanto o partido improvisado de Brizola segue vivo.
A Nova República e a explosão partidária (1985–1994)
A transição democrática multiplicou as legendas. Em 1985, a dissidência do PDS que apoiou a oposição no Colégio Eleitoral fundou o Partido da Frente Liberal (PFL) — o começo da linhagem que hoje termina no União Brasil. No mesmo ano surgiram o Partido Liberal (PL), o Partido Social Cristão (PSC) e as refundações do Partido Socialista Brasileiro (PSB) e do Partido Democrata Cristão (PDC), ambos extintos pelo AI-2 em 1965. A legalização dos partidos comunistas — Partido Comunista Brasileiro (PCB) e Partido Comunista do Brasil (PCdoB) — completou a reabertura.
Outras legendas surgiram no período. Em 1986 nasceu o Partido Verde (PV). Em 1988, durante a Assembleia Constituinte, uma dissidência do PMDB criou o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), levando nomes como Mário Covas, Fernando Henrique Cardoso e Franco Montoro — uma cisão visível na linhagem do MDB.
O ano de 1989, o da primeira eleição direta para presidente desde 1960, foi especialmente fértil. O Partido da Juventude, criado em 1985, renomeou-se Partido da Reconstrução Nacional (PRN) e elegeu Fernando Collor. Surgiram também o Partido de Reedificação da Ordem Nacional (PRONA), de Enéas Carneiro, o Partido Republicano Progressista (PRP), o Partido Social Trabalhista (PST) e o Partido Trabalhista do Brasil (PTdoB), dissidência do PTB que décadas depois se tornaria o Avante.
O PRN mostra como a história de uma sigla e a projeção de uma candidatura podem ter ritmos diferentes. A legenda que elegeu Collor seria depois renomeada duas vezes. A Constituição de 1988 consagrou o pluralismo partidário, mas a criação de partidos continuou sujeita a requisitos legais. Constituição, art. 17.
Nem todos sobreviveram com a própria identidade. Em 1992, a maioria do PCB decidiu abandonar o marxismo-leninismo e transformou o partido no Partido Popular Socialista (PPS) — a ala dissidente refundou o PCB por fora. Essa é a linhagem que hoje se chama Cidadania.
As primeiras consolidações (1993–2003)
A primeira onda de fusões veio no início dos anos 1990, e seu epicentro foi a família da antiga ARENA. Em 1993, o PDS fundiu-se com o PDC, formando o Partido Progressista Reformador (PPR). No mesmo ano, PTR e PST fundiram-se no Partido Progressista (PP) — um homônimo do PP atual, que confunde até analistas experientes. Dois anos depois, em 1995, PPR e PP fundiram-se no Partido Progressista Brasileiro (PPB), que em 2003 simplificou o nome para PP. Três transformações na sequência do PDS entre 1993 e 2003, todas visíveis em sequência na faixa da linhagem progressista.
O período também produziu legendas novas que teriam papéis inesperados décadas depois. O Partido Social Liberal (PSL), fundado em 1994, passaria mais de vinte anos como nanico até se tornar, em 2018, a segunda maior bancada da Câmara. O Partido Trabalhista Nacional (PTN) e a linhagem que adotou o nome Partido Humanista da Solidariedade (PHS) seguiriam caminhos que terminam no mesmo lugar: o Podemos. O nome PHS foi deferido pelo TSE em 2000, substituindo Partido da Solidariedade Nacional.
Enquanto isso, o PRN de Collor, esvaziado após o impeachment, teve sua mudança de nome deferida em 2001 para Partido Trabalhista Cristão (PTC) — primeira de duas renomeações que levariam a legenda ao atual Agir.
O apogeu da fragmentação (2003–2014)
A década seguinte inverteu a lógica: em vez de consolidar, o sistema fragmentou. A conta é conhecida — na metade dos anos 2010, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) chegou a registrar 35 partidos, e a Câmara dos Deputados eleita em 2014 abrigou 28 legendas, segundo a série curada de bancadas do site.
O modelo anterior reunia incentivos para preservar legendas pequenas, como recursos partidários, participação na propaganda e coligações proporcionais. Nessas coligações, votos de candidatos de diferentes partidos participavam de uma mesma lista eleitoral. Esse mecanismo podia ajudar uma legenda a conquistar representação sem atingir sozinha o quociente. A revisão das regras alterou essas possibilidades; atribuir uma motivação única à criação de cada partido exigiria examinar sua história específica.
As criações do período têm perfis muito distintos. Organizado em 2004 e registrado pelo TSE em 2005, por parlamentares que deixaram o PT após a reforma da Previdência de 2003, surgiu o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) — uma cisão à esquerda, visível na linhagem do PT. Em 2005 foi registrado o partido que, fundado como PMR, teve deferida em 2009 a mudança para a sigla Partido Republicano Brasileiro (PRB), ligado à Igreja Universal, embrião do atual Republicanos.
Houve também fusão relevante: em dezembro de 2006, o PL fundiu-se com o PRONA, formando o Partido da República (PR). A legenda voltaria ao nome Partido Liberal em 2019 — de modo que o PL de hoje não é juridicamente o mesmo PL de 1985, e sim o resultado dessa fusão renomeada.
A criação mais consequente do período veio em 2011: o Partido Social Democrático (PSD), liderado por Gilberto Kassab e formado majoritariamente por egressos do DEM. O PSD se tornaria uma das maiores bancadas do país. Em 2013 nasceram o Solidariedade, ligado à Força Sindical, e o Partido Republicano da Ordem Social (PROS); em 2012, o Partido Ecológico Nacional (PEN), que mais tarde se chamaria Patriota. O Partido Pátria Livre (PPL) foi registrado em 2011. Em 2015 foram registradas as legendas, Partido Novo (NOVO) e Rede Sustentabilidade.
As reformas que mudaram o jogo (2015–2019)
As reformas eleitorais mudaram as condições de organização das legendas. Três mudanças aprovadas entre 2015 e 2017 redesenharam os incentivos do sistema:
A janela partidária, criada na reforma eleitoral de 2015, permitiu que deputados e vereadores trocassem de partido sem perder o mandato em um período determinado — reduzindo o custo individual das reorganizações.
A cláusula de desempenho, instituída pela Emenda Constitucional 97 de 2017, condicionou o acesso ao fundo partidário e ao tempo de televisão a um desempenho eleitoral mínimo, com exigência crescente a cada eleição até 2030.
O fim das coligações proporcionais, na mesma emenda, valendo a partir de 2020, retirou dos partidos pequenos a possibilidade de concorrer numa lista compartilhada com outras legendas.
O cronograma da cláusula de desempenho
A cláusula foi desenhada como uma escada: a cada eleição para a Câmara dos Deputados, a régua sobe. O partido que não atinge o piso — nem pela via dos votos, nem pela via alternativa dos deputados eleitos — perde o acesso ao fundo partidário e à propaganda gratuita, embora mantenha o registro.
Eleição | Votos válidos no país | Mínimo em nove UFs | Ou deputados eleitos em nove UFs |
|---|---|---|---|
2018 | 1,5% | 1% | 9 |
2022 | 2% | 1% | 11 |
2026 | 2,5% | 1,5% | 13 |
2030 | 3% | 2% | 15 |
O critério de votos exige o percentual nacional e o mínimo territorial em pelo menos nove unidades da Federação (UFs). O critério de bancada é alternativo e também exige nove UFs. Não basta alcançar a porcentagem nacional. A análise da cláusula em 2026 aplica essa régua aos resultados consultados. EC 97/2017.
No período dessas mudanças, a genealogia registra novas denominações. Entre 2017 e 2019, várias legendas mudaram de nome: o PTN virou Podemos (2017), o PTdoB virou Avante (2017), o PMDB decidiu retomar o nome MDB em 2017, com deferimento pelo TSE em 2018, o PEN virou Patriota (2018), o PR retomou o nome PL (2019), o PRB virou Republicanos (2019) e o PPS virou Cidadania (2019).
Ao mesmo tempo, começaram as incorporações — o mecanismo pelo qual um partido é absorvido por outro e deixa de existir. Só em 2019, o PCdoB incorporou o PPL, o Podemos incorporou o PHS e o Patriota incorporou o PRP. A concentração desses eventos depois da primeira aplicação da cláusula permite investigar sua relação com as novas regras, sem presumir o motivo exclusivo de cada decisão.
A era das fusões (2022–2026)
As eleições gerais de 2022 ocorreram sem coligações proporcionais e com a possibilidade de federações. Antes da votação, em fevereiro de 2022, o TSE aprovou a fusão de DEM e PSL no União Brasil — a junção da linhagem da Frente Liberal, que em 2007 havia se renomeado Democratas, com o partido pelo qual Bolsonaro se elegera em 2018. A fusão reuniu duas origens políticas distintas numa mesma agremiação.
O movimento continuou depois da eleição. Em 2023, PTB e Patriota fundiram-se no Partido Renovação Democrática (PRD) — encerrando, depois de 43 anos, a trajetória da legenda refundada por Ivete Vargas, reunida à linhagem do antigo PEN. No mesmo ano, o Podemos incorporou o PSC e o Solidariedade incorporou o PROS. Na ponta das marcas, o PTC completou sua segunda renomeação e virou Agir (2022).
O número de registros partidários e o número de atores que concorrem separadamente são medidas distintas. As federações partidárias, previstas em lei desde 2021, permitem atuação conjunta sem extinguir a identidade dos partidos.
A federação é um meio-termo institucional engenhoso: os partidos federados mantêm registro, nome e estrutura próprios, mas são obrigados a atuar como uma legenda única — na eleição e no exercício dos mandatos — por no mínimo quatro anos, em âmbito nacional. Para efeito de cláusula de desempenho, os votos da federação somam-se. Federação não é fusão: os partidos preservam sua personalidade. O compromisso conjunto tem regras e consequências próprias. Lei dos Partidos, art. 11-A.
Três federações disputaram a eleição de 2022: PT–PCdoB–PV, PSDB–Cidadania e PSOL–Rede. Anunciada em 2025 e aprovada pelo TSE em 26 de março de 2026, a associação de União Brasil e PP recebeu o nome de União Progressista — um arranjo que junta nas mesmas estruturas as duas linhagens mais antigas do gráfico. A descendente da ARENA e a descendente da Frente Liberal que rompeu com ela em 1985 voltaram, quatro décadas depois, a caminhar juntas. TSE: registro da União Progressista.
Eventos selecionados da genealogia (1980–2023)
A tabela abaixo reúne uma seleção de eventos de transformação — renomeações, fusões, incorporações e cisões — cobertos por esta primeira versão da genealogia. A tabela distingue eventos políticos de datas de deferimento pelo TSE. O gráfico interativo ainda tem datas a reconciliar: o artigo usa 2001 para PRN–PTC, 2000 para a adoção do nome PHS, 2009 para PMR–PRB e 2018 para o deferimento de PMDB–MDB.
Ano | Evento | O que aconteceu |
|---|---|---|
1980 | Renomeação | A reforma de 1979 extingue o bipartidarismo; a ARENA torna-se PDS |
1980 | Renomeação | Na mesma reforma, o MDB torna-se PMDB |
1985 | Cisão | A Frente Liberal rompe com o PDS e funda o PFL |
1988 | Cisão | Dissidentes do PMDB fundam o PSDB durante a Constituinte |
1992 | Renomeação | A maioria do PCB transforma o partido em PPS; dissidentes refundam o PCB |
1993 | Fusão | PDS e PDC fundem-se no PPR |
1993 | Fusão | PTR e PST fundem-se no PP — Partido Progressista |
1995 | Fusão | PPR e PP fundem-se no PPB |
2001 | Renomeação | O TSE defere PRN–PTC |
2003 | Renomeação | O PPB passa a se chamar PP |
2004/2005 | Cisão e registro | PSOL é organizado em 2004 e registrado em 2005 |
2006 | Fusão | PL e PRONA fundem-se no PR — Partido da República |
2007 | Renomeação | O PFL torna-se Democratas (DEM) |
2011 | Cisão | Grupo egresso do DEM, liderado por Gilberto Kassab, funda o PSD |
2017/2018 | Renomeação | PMDB decide retomar MDB em 2017; TSE defere em 2018 |
2017 | Renomeação | O PTN torna-se Podemos |
2017 | Renomeação | O PTdoB torna-se Avante |
2018 | Renomeação | O PEN torna-se Patriota |
2019 | Renomeação | O PR retoma o nome Partido Liberal (PL) |
2019 | Renomeação | O PRB torna-se Republicanos |
2019 | Renomeação | O PPS torna-se Cidadania |
2019 | Incorporação | O PCdoB incorpora o PPL |
2019 | Incorporação | O Podemos incorpora o PHS |
2019 | Incorporação | O Patriota incorpora o PRP |
2022 | Fusão | DEM e PSL fundem-se no União Brasil |
2022 | Renomeação | O PTC torna-se Agir |
2023 | Fusão | PTB e Patriota fundem-se no PRD |
2023 | Incorporação | O Podemos incorpora o PSC |
2023 | Incorporação | O Solidariedade incorpora o PROS |
Na seleção acima, as fusões se concentram em 1993–1995 e 2022–2023, e as renomeações, em 2017–2019. Das quatro linhas de cisão, duas antecedem 1989 e duas são posteriores. A tabela não é um censo de todas as dissidências do sistema, por isso não sustenta uma conclusão sobre a raridade nacional de cisões.
Como explorar a genealogia no mapa
O gráfico interativo da genealogia permite explorar as relações de linhagem cobertas por esta versão. Algumas formas de usá-lo:
Clique em qualquer partido para destacar a linhagem inteira — ancestrais e descendentes. Clicar no União Brasil, por exemplo, acende o caminho ARENA, PDS, PFL, DEM e PSL.
Passe o mouse sobre uma faixa para ver o período de existência, a origem e todos os eventos em que a legenda se envolveu.
Compartilhe uma linhagem específica adicionando o parâmetro
?partido=à URL — como em /playground/genealogia-partidos?partido=pp, que abre o gráfico com a linhagem progressista já destacada.
Esta primeira versão cobre as grandes linhagens do sistema. Ficam de fora, por ora, legendas pequenas que não fazem parte do recorte — PRTB, DC, PSTU, PCO, UP, PMB e Mobiliza — e micro-legendas extintas, como o PGT, o segundo PST e o PSD de 1987, homônimo do atual. A ausência no gráfico indica o limite desta versão, não inexistência da legenda.
Para entender como esses partidos disputam votos em cada escala territorial — da seção eleitoral ao município e ao estado —, veja também o artigo sobre a ontologia territorial do sistema eleitoral brasileiro.
Fontes: TSE: registros, fusões, incorporações e mudanças de nome; Constituição, art. 17; EC 97/2017. Datas de organização política e relações de linhagem também seguem o dataset curado da genealogia do site, com as divergências de deferimento explicitadas acima.
O marco de 35 registros em 2015 está documentado na notícia sobre o deferimento do PMB, em 29 de setembro de 2015.
A diferença entre organização em 2004 e registro em 2005 do PSOL também está documentada na história publicada pelo partido.
Autor
Filipe Dias
Geógrafo, desenvolvedor e analista político. Criador do Mapa Eleitoral — plataforma de visualização de dados das eleições brasileiras.
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