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MapaEleitoral
12 de julho de 20267 min de leituraPor Filipe Dias168 visualizações

O mapa dos filiados: onde cada partido tem a sua base no Brasil

Explore os 16,1 milhões de registros de filiação de junho de 2026, a liderança por UF e os limites de comparar o perfil atual com a série histórica do site.

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O mapa dos filiados: onde cada partido tem a sua base no Brasil

O Perfil de Filiação Partidária de junho de 2026 soma 16.114.717 registros de filiação na base usada pelo site. Essa é uma das faces menos visíveis do sistema partidário: enquanto o voto se renova a cada eleição, a filiação é uma camada que registra vínculos formais e pode ajudar a investigar a presença das legendas.

O mapa de filiados coloca esse retrato no mapa do Brasil. Cada estado — e, ao clicar, cada município — recebe a cor do partido com mais filiados ali. É possível também escolher uma legenda e ver onde ela concentra seus vínculos registrados. Os dados vêm do Perfil de Filiação Partidária do Tribunal Superior Eleitoral, com referência de junho de 2026.

Este artigo explica o que o mapa mostra, o que a filiação significa (e o que ela não significa), e responde a uma pergunta que o retrato sozinho não responde: é possível ver o número de filiados crescer ou encolher ao longo do tempo?

O que é estar filiado — e o que não é

Filiar-se a um partido é um ato formal e distinto do voto. O eleitor pode votar em qualquer legenda sem estar filiado a ela. O vínculo permite participação interna conforme o estatuto e é uma condição geral de elegibilidade, sujeita às regras e exceções de cada situação. Constituição, art. 14 e Lei das Eleições, art. 9º.

Esse requisito dá à filiação uma função distinta da escolha na urna. A filiação não mede simpatia ou intenção de voto — registra vínculos formais com a legenda. Pode ajudar a estudar a presença territorial dos partidos, mas não conta quantas pessoas militam, controlam diretórios ou trabalham numa campanha. Um número alto de filiados não garante vitória eleitoral.

A filiação é um estoque de vínculos, e não uma contagem de engajamento atual. O arquivo não demonstra com que frequência cada pessoa participa da vida partidária. A interpretação de um crescimento ou de uma queda exige considerar também atualizações cadastrais e o método de extração.

O mapa do MDB — e as exceções que contam

Ao abrir o mapa no modo padrão, o Brasil aparece majoritariamente pintado de uma cor só: a do MDB, o partido com mais filiados em 15 das 27 unidades da Federação (UFs) e o maior do país em números absolutos, com mais de 2 milhões de filiados. É o retrato coerente com a natureza do partido — uma legenda com uma ampla base registrada; o mapa permite observar sua distribuição sem presumir o grau de atividade de cada diretório.

As exceções são as que dão sentido ao mapa. O PT lidera em seis UFs, a maioria no Nordeste — Bahia, Ceará, Pernambuco e Sergipe —, além do Pará e do Distrito Federal. Fora desse bloco, aparecem lideranças locais que a política nacional costuma ignorar: o Podemos é o maior no Amazonas, o PSOL no Amapá, o PRD no Maranhão e em Roraima, o União em Mato Grosso e o PDT no Rio de Janeiro.

Há um detalhe que o mapa revela de relance e que merece atenção: nenhum partido é dono de um estado. Mesmo onde o MDB lidera com folga, sua fatia raramente passa de 15 a 20% dos filiados daquele estado. A base partidária brasileira é profundamente fragmentada — o líder de cada área é o primeiro colocado entre diversas legendas, não um hegemon.

Números absolutos enganam: o modo por partido

Contar filiados em números absolutos tem um viés óbvio: áreas de eleitorado maior tendem a reunir mais vínculos. São Paulo não lidera necessariamente todas as legendas. O total bruto, sozinho, é insuficiente para comparar a força relativa de um partido entre regiões.

Por isso o mapa tem um segundo modo. Ao escolher um partido no seletor, cada área passa a ser colorida pela fração de filiados daquela legenda dentro da própria área — a porcentagem, não o total. O efeito é imediato: o mapa deixa de mostrar onde há mais gente e passa a mostrar onde o partido é, proporcionalmente, mais forte.

Selecionar o PT ilumina o Nordeste em tom forte — no Ceará e em Pernambuco, o partido chega a concentrar perto de um sexto de todos os filiados do estado. Selecionar o PSDB inverte o mapa: os tucanos mantêm base proporcionalmente maior no Centro-Sul. Cada legenda tem a sua geografia, e o modo por partido é o que a revela.

Descer ao município

O retrato por estado esconde tanto quanto mostra. Dizer que "o MDB lidera Minas Gerais" apaga o fato de que, dentro de Minas, há municípios onde o PT, o PP ou o Republicanos são a maior força local. Por isso o mapa permite clicar num estado e descer ao nível dos municípios — os mesmos dois modos, agora para cada uma das centenas de cidades daquela unidade.

O retrato municipal ajuda a reconhecer concentrações que a soma estadual esconde. Ele permite formular perguntas sobre redes e lideranças locais, mas não demonstra automaticamente a relação dos vínculos com uma família política, prefeitura ou estrutura de campanha. Para afirmar essas relações, seriam necessárias evidências adicionais.

E a evolução no tempo?

Fica a pergunta natural diante de qualquer retrato: o número de filiados cresce ou encolhe? Onde cada partido ganha e perde base? O perfil que alimenta o mapa é um retrato único de um mês e não mostra movimento — mas dá para reconstruir o filme. Cada filiação registrada pela Justiça Eleitoral tem uma data de entrada e, quando é o caso, uma data de saída; somando essas entradas e saídas ano a ano, monta-se a série das filiações ativas ao longo do tempo. Foi o que fizemos, e o resultado está na evolução dos filiados.

A curva conta uma história em duas partes. Por quase três décadas, o número de filiados cresceu quase sem parar: de cerca de 3 milhões no fim dos anos 1980 para um pico perto de 18 milhões em 2018. A série cai em 2019 e sobe em 2020, quando chega a 17.573.504. O ponto de junho de 2026 é menor que o pico histórico, mas usa uma medida distinta: não deve ser lido como prova de queda contínua ou perda de militância entre 2020 e 2026.

No detalhe por partido, a série mostra quem construiu base e quando. O PT passa de 256 mil filiados em 1990 para 1,7 milhão em 2018. O PSDB aparece com 1.555.841 vínculos ativos na série reconstruída de 2018 e 1.261.043 no perfil de junho de 2026. Esses valores pertencem a bases distintas e precisam ser lidos com essa ressalva. E o MDB confirma a sua marca: a legenda de maior estoque no dataset desta série manteve a maior base de filiados em todo o período, segundo a série curada do projeto.

Duas ressalvas de método, para ler a série com o cuidado devido. A parte histórica vem dos microdados de filiação preservados pela Base dos Dados, na tabela histórica usada nesta reconstrução, que vai de 1988 a 2020. Isso é uma limitação da fonte escolhida, não prova de que toda informação individual de filiação tenha deixado de ser acessível por causa de uma mudança legal.

Por isso a linha detalhada vai até 2020 e o ponto de 2026 vem do perfil do TSE, uma medida ligeiramente distinta, ligada por um traço pontilhado. E há um viés estrutural que convém lembrar: o estoque formal pode incluir vínculos com graus de participação muito distintos; o dataset não mede essa atividade.

Como foi feito

O mapa usa o Perfil de Filiação Partidária do TSE (dados abertos), que traz a contagem de filiados por partido e município. Os números são somados por estado e por município e ligados à malha geográfica do país. No modo por partido, a cor representa a fração de filiados da legenda dentro da área, para neutralizar o peso da população. A referência dos dados é junho de 2026.

A série temporal usa os microdados de filiação da Justiça Eleitoral, distribuídos pela Base dos Dados, de onde se extraem as datas de entrada e saída de cada vínculo para contar as filiações ativas em cada ano, no total e por partido. Juntos, o mapa e a série respondem às duas metades da mesma pergunta: onde cada partido tem vínculos registrados na referência de junho de 2026, e como chegou até aqui.

Fontes: TSE: dados abertos de filiação; a série histórica do site usa a tabela de microdados antigos da Base dos Dados, com siglas normalizadas e datas de entrada e saída. O total atual inclui os registros identificados como exterior; o mapa brasileiro apresenta as 27 UFs.

FD

Autor

Filipe Dias

Geógrafo, desenvolvedor e analista político. Criador do Mapa Eleitoral — plataforma de visualização de dados das eleições brasileiras.

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